
Memórias RAM e SSD continuam caras em 2026, e a tendência é que essa realidade não mude tão cedo. Depois de um início de ano marcado por aumentos considerados históricos pelo setor, o mercado de memórias segue pressionado por um fator específico: a explosão da demanda por infraestrutura de inteligência artificial.
Esse cenário afeta diretamente quem pretende montar um computador novo ou simplesmente fazer um upgrade de hardware. Enquanto isso, fabricantes de memória registram margens de lucro recordes, alimentadas por contratos bilionários firmados com gigantes da tecnologia.

O tamanho da alta nos preços de RAM e SSD
Os números levantados por diferentes consultorias do setor mostram a dimensão do problema. Segundo a TrendForce, os preços de memórias DRAM convencionais registraram alta de até 90% apenas no primeiro trimestre de 2026, enquanto os chips NAND Flash, base de fabricação dos SSDs, subiram cerca de 60% no mesmo período.
Em alguns segmentos específicos, o cenário foi ainda mais extremo. Módulos de memória LPDDR5X de 96 Gb, usados em dispositivos móveis, chegaram a registrar alta de 89% em um único trimestre. Já um SSD NVMe Gen4 de 512 GB teve aumento de 54% no mesmo período, segundo levantamentos recentes do setor.
No Brasil, esse movimento também já é sentido no varejo. Um módulo de 16 GB DDR4, que era encontrado entre R$ 220 e R$ 280 no início de 2024, chegou a bater o teto de R$ 950 em janeiro de 2026, um salto que se aproxima de 300% em apenas dois anos.
Por que os preços dispararam
O principal fator por trás dessa crise tem nome: inteligência artificial. Gigantes como Microsoft, Google, Meta e OpenAI estão construindo data centers massivos para treinar seus modelos de linguagem, e esses servidores exigem quantidades enormes de memória de alto desempenho, como HBM e DDR5, além de armazenamento NVMe ultrarrápido.
Como a capacidade de produção das fábricas é limitada, empresas como Samsung, SK Hynix e Micron passaram a priorizar contratos corporativos de longo prazo, que oferecem margens de lucro muito superiores às vendas destinadas ao consumidor comum. Alguns desses acordos com provedores de nuvem já se estendem até 2027, o que reduz ainda mais a disponibilidade de memória para o mercado tradicional de PCs e notebooks.

Além disso, a própria indústria está em transição tecnológica. A migração do padrão DDR4 para o DDR5, somada à adoção de chips NAND com mais de 300 camadas nos SSDs, exige processos de fabricação mais complexos e caros, o que também contribui para o encarecimento geral dos produtos.
Como isso afeta outros produtos
O impacto da crise de memórias não fica restrito a pentes de RAM e SSDs vendidos separadamente. Como esses componentes estão presentes em praticamente todos os dispositivos eletrônicos, o efeito se espalha rapidamente por toda a cadeia de hardware.
Placas de vídeo já sentem esse reflexo. Modelos como a RTX 5070 Ti e a RTX 5080, que utilizam quantidades maiores de memória, chegaram a ser vendidas entre 40% e 50% acima do preço original de tabela, segundo levantamentos recentes. GPUs voltadas para jogos em resoluções mais simples, como Full HD e Quad HD, sentem o impacto de forma mais moderada, já que utilizam menos memória em sua composição.
Fabricantes de computadores também já sinalizam repasses de preço para o consumidor final. Empresas como Dell, Lenovo e HP indicaram reajustes que podem chegar entre 15% e 20% em seus produtos ao longo de 2026, enquanto alguns fabricantes de smartphones começaram a reduzir a quantidade de memória em novos aparelhos ou substituir componentes rápidos por versões mais lentas e baratas para conter custos.
O que esperar até o fim de 2026
Segundo analistas do setor, o pico dessa crise de preços deve se concentrar no primeiro semestre de 2026, com uma estabilização em patamares elevados esperada apenas para o fim do ano. Uma queda real nos preços, por sua vez, só é prevista para 2027, quando novas fábricas de semicondutores atualmente em construção entrarem em operação plena.
Vale destacar que essas são projeções da indústria, sujeitas a mudanças conforme a demanda por infraestrutura de inteligência artificial evolui. Caso os investimentos em data centers desacelerem antes do previsto, a normalização de preços poderia acontecer de forma mais rápida do que o esperado atualmente.
Vale a pena comprar agora ou esperar
Para quem já enfrenta lentidão ou travamentos no computador atual, especialistas recomendam considerar o upgrade o quanto antes, já que a tendência é de preços ainda mais altos nos próximos meses. Por outro lado, quem possui um equipamento funcionando bem, sem grandes gargalos de desempenho, pode optar por adiar a troca até que o mercado se estabilize.
Outra alternativa apontada por analistas é considerar componentes de gerações ligeiramente anteriores, já que a diferença de desempenho entre versões mais recentes e modelos um pouco mais antigos nem sempre justifica o salto no investimento para o uso cotidiano.
Conclusão
Memórias RAM e SSD continuam caras em 2026, e a origem desse problema está diretamente ligada à corrida global por infraestrutura de inteligência artificial. Enquanto fabricantes priorizam contratos corporativos bilionários, o consumidor final sente o impacto tanto na compra de componentes avulsos quanto em computadores e smartphones completos.
Com uma normalização real de preços prevista apenas para 2027, o planejamento segue sendo a melhor estratégia para quem precisa montar ou atualizar um equipamento nos próximos meses. Continue acompanhando o site para mais novidades sobre o mercado de hardware e tecnologia.
Fontes e Transparência
“O levantamento das informações utilizadas neste artigo foi realizado com base em comunicados oficiais, notas à imprensa, documentação técnica, páginas institucionais e demais fontes confiáveis. Sempre que possível, foram priorizadas fontes oficiais para garantir maior precisão, transparência e credibilidade.”



